Bolsonaro na ONU: “Brasil sofre campanha brutal de desinformação sobre Amazônia e Pantanal”

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, que o Brasil é vítima de “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”.

No discurso de abertura do evento, realizado neste ano por videoconferência em razão da pandemia do coronavírus, Bolsonaro declarou ainda que há uma “campanha escorada em interesses escusos” por parte de “instituições internacionais” junto a “associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas”. O objetivo seria prejudicar o seu governo.

”Somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”.

Bolsonaro, porém, não citou diretamente o nome de nenhuma organização nem de países que estariam por trás dessa articulação, mas buscou reforçar a narrativa de que a Amazônia seria alvo de cobiça internacional.

A estratégia tem sido adotada pelo Palácio do Planalto na tentativa de rechaçar as críticas à gestão ambiental em decorrência do desmatamento na Amazônia e das queimadas que estão devastando o Pantanal.

Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente, que coordena o Sistema de Alerta de Desmatamento do Imazon, mostram que o desmatamento na Amazônia subiu 68% em agosto de 2020, na comparação com o mesmo período do ano passado.

O Pantanal, por sua vez, bateu recorde histórico de queimadas para todo o mês de setembro ainda na primeira quinzena. Foram mais de 5.600 focos de incêndio, número quase três vezes acima da média para o mês.

É a segunda vez que o presidente brasileiro discursa em uma Assembleia Geral da ONU sob forte pressão internacional por causa do avanço do desmatamento e de questões ambientais. No ano passado, Bolsonaro classificou como “falácia” a ideia de que a floresta é um patrimônio da humanidade.

Hoje, o presidente brasileiro disse, sem entrar em detalhes técnicos, que os incêndios na Amazônia ocorrem “praticamente nos mesmos lugares” e atribuiu parte dessa responsabilidade ao “caboclo e o índio”, que teria por hábito queimar “seus roçados em busca de sobrevivência”.

Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas.

O presidente disse ainda que sua política é de “tolerância zero” com o crime ambiental e que os focos criminosos são combatidos com rigor.

Copyright © Uol

Compartihe:

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no email
E-MAIL

Veja também:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp