Entidade indígena da região onde Bruno e Dom foram mortos diz ser ‘marcada’ e temer nova ‘catástrofe’

O procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliésio Marubo, afirmou nesta quarta-feira (22) que a diretoria da entidade está “marcada” e que teme uma nova “catástrofe” na região.

Marubo deu as declarações ao participar de audiência na Comissão Externa do Senado que investiga os assassinatos na região do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips.

Bruno, colaborador da Univaja, e Dom desapareceram no dia 5 deste mês no Vale do Javari. Dez dias depois, o governo federal anunciou ter encontrado “remanescentes humanos” no local onde as buscas eram feitas. Três suspeitos de envolvimento no caso já foram presos.

“Que país é esse que nós estamos vivendo, excelências? Quantos mais Brunos e quantos mais Doms têm que morrer? É público e notório que a diretoria da Univaja toda está marcada com a mesma marca que Bruno e o Dom. Temos que andar com segurança, temos que andar com carro blindado. Isso não é vida, nós não estamos em um país em guerra”, afirmou Marubo aos senadores.

Ameaças

Quando Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram, a Univaja informou que o indigenista estava recebendo constantes ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores.

O Vale do Javari é palco de conflitos violentos. Segunda maior terra indígena do país, a região é ocupada por grupos ilegais de madeireiros, caçadores, pescadores, garimpeiros e pelo narcotráfico.

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