Bolsas globais têm queda com temor sobre nova variante do coronavírus

No Brasil, dólar começou o dia em forte alta, mas perdeu ritmo e é cotado na casa de R$ 5,60

A notícia sobre uma nova variante da covid-19 potencialmente perigosa localizada na África do Sul provoca uma onda negativa nos mercados acionários globais nesta sexta-feira, 26. Na Ásia, os principais índices de ações fecharam em queda e na Europa as Bolsas operam em baixa.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) fará uma reunião nesta sexta para avaliar a nova cepa, que apresenta elevado número de mutações, o que pode resultar em uma versão mais transmissível e, potencialmente, com mais risco de contornar a resposta imune gerada por infecções anteriores ou pela vacinação. A cepa já foi localizada também em Hong Kong e Israel.

Segundo a avaliação do banco Credit Suisse, a preocupação do mercado com a nova variante do coronavírus parece compreensível, dado seu forte potencial de contaminação.  De acordo com o banco, as leituras de hospitalização e mortes ainda são pouco conclusivas, mas lembra que a vacinação na África do Sul (origem da variante) são muito baixas e que o país não teve uma forte onda da variante Delta.

“Os dados de sequenciamento sugerem que essa variante tem um caminho evolutivo diferente, mas compartilha algumas mutações comuns com as variantes Beta e Delta. Ainda não se sabe se as vacinas existentes funcionam, mas os testes de laboratório já estão em andamento e a indicação é de que uma imunidade parcial seria provável”, disse o banco.  em comentário a clientes.

A Comissão Europeia já  informou que pretende propor um veto à entrada de pessoas de países do sul da África. Nesse contexto, ações de companhias aéreas sofrem fortes baixas no mercado europeu – Deutsche Lufthansa recuava 10,12% em Frankfurt, Ryanair caía 8,00% em Londres e Air France-KLM, 8,47% em Paris.

O petróleo também tem queda forte com a cautela sobre a demanda, o que afeta empresas do setor. A ação da BP recuava 6,18% em Londres, Eni tinha baixa de 4,8% em Milão e Repsol cedia 5,99% em Madri.

O ouro, considerado um ativo seguro, sobe mais de 1%, impulsionado pela busca por segurança nos mercados globais. Às 9h54, o ouro com entrega prevista para dezembro subia 1,35%, a US$ 1.808,3 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex).

Na Europa, os investidores também estão atentos à piora no quadro de saúde em partes da região, inclusive na Alemanha. No início da manhã, no horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 2,78%.

No Brasil, o dólar começou o dia em forte alta, mas diminuiu o ritmo. A moeda americana chegou a ser cotada a R$ 5,6629, com alta de 1,76%, na abertura das negociações, mas baixou para R$ 5,6006, com valorização de 0,64% às 10h49. O estrategista Jefferson Laatus, do grupo Laatus, diz que o dólar desacelera com um movimento de realização de ganhos, após a precificação da notícia sobre a nova cepa.

Na B3, a Bolsa de São Paulo, o Ibovespa caía 3% às 10h49, para os 102.644,28 pontos, com recuo praticamente generalizado na carteira de ações. As perdas são maiores nas ações ligadas ao setor aéreo, consumo e commoditeis, em meio a temores de que novas medidas restritivas mais hostis sejam necessárias para conter o coronavírus, o que comprometeria a retomada econômica.

Bolsas da Ásia fecham em queda

Os mercados acionários da Ásia fecharam no vermelho nesta sexta-feira. Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei fechou em baixa de 2,53%. Papéis de empresas do setor ferroviário estiveram entre as principais quedas, com Central Japan Railway em baixa de 3,3% e East Japan Railway, de 2,4%. Entre outras ações em foco, SoftBank caiu 5,2%, após a notícia de que a China teria pedido à Didi, empresa na qual o banco tem participação acionária, que deixe de ser negociada nos Estados Unidos.

Na China, a Bolsa de Xangai fechou em queda de 0,56% e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 0,20%. Fabricantes de chips lideraram as perdas, estendendo fraqueza recente após os EUA colocaram várias empresas do país asiático em uma lista sobre preocupações com a segurança nacional e a política externa.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng terminou em queda de 2,67%. A nova variante da covid-19 provocou cautela local, com ações de cassinos entre as maiores quedas – Sands China caiu 7,2% e Galaxy Entertainment, 6,8%. No setor aéreo, Cathay Pacific caiu 4,1% e Air China, 3,8%. Incorporadoras novamente ficaram sob pressão, com China Evergrande em baixa de 10% e Fantasia Holdings, de 5,9%.

Na Coreia do Sul, o índice Kospi registrou baixa de 1,47%, na Bolsa de Seul. Além do noticiário vindo da África do Sul, as negociações foram prejudicadas por relatos de que os casos graves da covid-19 na Coreia do Sul subiram a nível recorde. O setor de transporte aéreo foi o mais prejudicado, com Asiana Airlines em baixa de 4,1% e Korean Air Lines, de 3,4%.

Em Taiwan, o índice Taiex terminou em queda de 1,61%. Na Oceania, o índice S&P/ASX 200 fechou em baixa de 1,73%, em Sydney. Com isso, o mercado australiano registrou a terceira semana consecutiva de quedas. Bancos e mineradoras se saíram mal, com baixas também no setor de tecnologia. / GABRIEL BUENO DA COSTA e SILVANA ROCHA

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