Europa se aproxima do desconfinamento enquanto coronavírus reaparece em Seul e Wuhan

Vários países europeus, como França e Espanha, vivem neste domingo, 10, o último dia de confinamento, entre alegria e medo de uma segunda onda de contágios do novo coronavírus, que deixou quase 280 mil mortos no mundo, mais de 10 mil deles no Brasil. E para complicar ainda mais a situação, novos casos da doença foram registrados em Seul e Wuhan.

Na França e na Espanha, que figuram entre os países mais afetados pela covid-19, milhões de pessoas devem recuperar uma tímida normalidade, como já aconteceu na Itália e Alemanha.

Quase cinco meses depois de seu surgimento na China, no fim de 2019, a pandemia que deixou mais da metade da humanidade em confinamento e paralisou a economia mundial parece estar sob controle em vários países, apesar da propagação em outras regiões, em particular as Américas.

Mas o fantasma de uma segunda onda, e talvez até uma terceira, mencionado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), está presente.

A Coreia do Sul, considerada um modelo na gestão da crise, é um exemplo: depois de conter a propagação do vírus e flexibilizar as restrições, a prefeitura de Seul se viu forçada no sábado, 9, a fechar todos os bares e clubes ante um novo e evidente aumento dos casos de covid-19.

A China registrou o primeiro caso em mais de um mês na cidade de Wuhan, berço da pandemia.

Entre reabertura e novos casos

O presidente sul-coreano Moon Jae-in declarou neste domingo que os novos casos de contaminação estabeleceram a consciência de que mesmo durante a fase de estabilização, situações similares podem surgir novamente a qualquer momento. “Isto não vai terminar até que realmente chegue ao fim”, disse Moon.

Na Alemanha, outro país considerado exemplar durante a crise, o teto estabelecido de 50 novos contágios para cada 100 mil habitantes está sendo superado em três regiões. O país, que retomará o campeonato de futebol nos próximos dias com portões fechados, permitiu a reabertura de bares e restaurantes no sábado no estado de Mecklembur-Pomerania, às margens do mar Báltico.

Mas nada voltará a ser como antes. “Nossos funcionários precisam usar máscara e nossos clientes respeitar a distância social”, disse Thomas Hildebrand, dono de restaurante em Schwerin.

No Irã, o país do Oriente Médio mais afetado pelo coronavírus, com mais de 6.500 mortes, de acordo com o balanço oficial, também há uma flexibilização das restrições, mas o temor de uma nova onda de infecções está muito presente.

Muitos moradores de Teerã aproveitaram a reabertura das lojas. Outros observavam com receio a falta de respeito às medidas de segurança. “A fila dos idiotas”, murmura Manouchehr, um comerciante, diante de uma longa fila em uma casa de câmbio no distrito de Sadeghieh, oeste da capital.

A partir de segunda-feira, 11, a Espanha, um dos países mais afetados pela pandemia, com mais de 26.600 vítimas fatais, metade dos 47 milhões de habitantes entram na fase 1 do período de desconfinamento, que permitirá reuniões com grupos de até 10 pessoas, a permanência em terraços com presença limitada ou a visita a lojas sem a necessidade de agendamento.

As zonas mais atingidas, como Madri e Barcelona, terão que aguardar uma situação melhor para entrar nesta etapa, entre apelos à “prudência” do primeiro-ministro Pedro Sánchez, para quem o vírus segue “à espreita”.

Na França, o desconfinamento também acontecerá por regiões “verdes” ou “vermelhas”. Em Paris, as autoridades pedem máximo rigor para respeitar as regras de saúde. Está prevista a reabertura parcial das escolas, uma medida que provoca preocupação entre as famílias.

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