Flordelis é indiciada como a mandante da morte do marido e cinco filhos do casal são presos

Depois de um ano e dois meses de investigação, a deputada federal Flordelis (PSD-RJ), de 59 anos, foi indiciada como a mandante do assassinato do próprio marido, o pastor Anderson do Carmo, 42, em junho do ano passado. Além de ser apontada como a responsável pelo crime, a parlamentar e a família são alvos, nesta segunda-feira, da Operação Lucas 12, que o Ministério Público estadual (MPRJ) e a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) fazem sobre o caso.

Seis familiares da deputada foram presos e 14 mandados de busca e apreensão sobre a morte do líder religioso foram cumpridos na casa da parlamentar, em Niterói, e em outros endereços ligados à ela, em São Gonçalo, na capital, e até mesmo Brasília. Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Criminal de Niterói. Houve apreensão de celulares e computadores.

“Ela foi surpreendida com a nossa chegada, chorou um pouco, porque tinha muita gente dentro de casa”, revela o chefe do Departamento Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa (DGHPP), o delegado Antônio Ricardo Nunes.

Flordelis não pode ser presa pela Polícia Civil porque tem foro privilegiado. Uma cópia do inquérito da DHNSGI será encaminhado para a Câmara dos Deputados. O procedimento poderá levar ao afastamento da parlamentar para que ela possa ser presa.

“Temos 11 pessoas respondendo criminalmente. Levando em conta que a família tem 55 pessoas, temos 20% de envolvidos. Todos eles têm uma participação que foram comprovadas no decorrer da investigação”, destaca o delegado.

Os crimes apontados no assassinato

. homicídio triplamente qualificado

. tentativa de homicídio. falsidade ideológica

. uso de documento falso

. organização criminosa majorada (uso da violência)

“A motivação do crime é porque ela estava insatisfeita com a forma como o pastor Anderson tocava a vida e fazia a movimentação financeira da família”, conta o delegado.

A tentativa de homicídio é porque a família é acusada de ter tentado matar o líder religioso diversa vezes, antes de sua execução.

O CRIME

O pastor Anderson do Carmo morreu na madrugada do dia 16 de junho do ano passado, quando havia acabado de chegar com a esposa, em Pendotiba. Ele foi alvo de vários tiros, na garagem da residência. O laudo da necrópsia apontou que o corpo do líder religioso tinha 30 perfurações de bala.

Na ocasião, Flordelis afirmou que o marido tinha sido morto durante um assalto. Ela disse que os dois estavam sendo seguidos por suspeitos em uma moto quando voltavam para casa.

Dois filhos do casal, Flávio dos Santos Rodrigues, 38, filho biológico da deputada, e Lucas Cézar dos Santos de Souza, 18, adotado por ambos, vão ser julgados como executores do crime. Eles estão presos desde a época do assassinato.

“Flordelis é responsabilizada por arquitetar o homicídio, arregimentar e convencer o executor direto e demais acusados a participarem do crime sob a simulação de ter ocorrido um latrocínio. A deputada também financiou a compra da arma e avisou da chegada da vítima no local em que foi executada, segundo a denúncia”, afirma o MPRJ.

FALSA CARTA

A investigação apontou que familiares tentaram fazer com que Flávio assumisse a culpa pelo crime sozinho. Uma carta contando o assassinato foi atribuída a ele, que chegou a confessar ter mandado matar o padrasto. Flávio, no entanto, se sentiu injustiçado e voltou atrás.

“Também é imputado a Flordelis e a outros denunciados o crime de uso de documento falso, por tentarem, através de carta redigida por Lucas, atribuir a pessoas diversas a autoria e ordem para a prática do homicídio. Segundo a denúncia, o executor Flávio tinha o objetivo de livrar ele próprio e Flordelis da responsabilização do crime. Flordelis também tinha o objetivo de vingar-se de dois de seus filhos ‘afetivos’ que não teriam aceitado as ordens de calar ou faltar a verdade durante os depoimentos”, diz o Ministério Público.

Já Lucas é apontado como o responsável pela negociação da arma usada no crime. A pistola Bersa, calibre 9 mm, foi encontrada dias depois no quarto de Flávio.

“As ações dos demais denunciados são descritas em diferentes etapas como no planejamento, incentivo e convencimento para a execução do crime, assim como em tentativas de homicídio anteriores ao fato consumado, pela administração de veneno na comida e bebida da vítima, ao menos seis vezes, sem sucesso, segundo apontaram as investigações”, diz o Ministério Público.

REPERCUSSÃO

Após o indiciamento da deputada, o PSD informou que vai iniciar um processo para sua expulsão do partido.

O DIA tenta contato com a deputada e com a defesa dos demais citados na reportagem.

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