Hotel Tropical de Manaus vai novamente a leilão no Rio de Janeiro

As margens do Rio Negro e envolto de belezas naturais e luxo, o Hotel Tropical, em Manaus, deve ter em 11 de fevereiro o capítulo mais importante de uma história com mais de quatro décadas. Fechado desde maio de 2019, em razão de dívidas que ultrapassam os R$ 20 milhões, o espaço – que já recebeu reis, príncipes, presidentes e artistas consagrados no meio da Amazônia – vai à leilão e tem destino incerto. 

Inaugurado em 26 de março de 1976, na presença do então presidente Ernesto Geisel, o Hotel Tropical foi construído pelo Grupo Varig, numa ação coordenada com o governo da época com o objetivo de integrar a Amazônia ao Brasil e ao mundo.  Com 235 mil metros quadrados, foi um dos maiores complexos turísticos hoteleiros da América do Sul, com quadras de tênis, ginásio poliesportivo, praia privativa e até um zoológico particular. No local de hospedagens, sete longos corredores com 611 apartamentos. Tudo rodeado pela floresta, com vistas para o rio que banha o oeste de Manaus.  

O local atraiu hóspedes célebres como o príncipe britânico Charles, que já esteve duas vezes no hotel, sendo uma delas com a princesa Diana. O ex-presidente americano Bill Clinton, os ex-presidentes Michel Temer, Dilma Rousseff, Lula e Fernando Henrique Cardoso. Além de Pelé, o cantor britânico Elton John, o escritor colombiano Gabriel García Márquez e cantoras, como Gloria Gaynor e Ivete Sangalo – a cantora baiana foi atração de um show privado no local.

Falência da Varig

A estabilidade financeira do resort, contudo, sofreu os primeiros sinais de ameaça após a falência da empresa aérea e de suas subsidiárias, em meados dos anos 2000. O processo fez com que muitos credores da antiga companhia pedissem seus direitos e penhoras trabalhistas, o que travava parcela considerável da receita. Com o bloqueio e queda na arrecadação por causa da crise econômica, veio à tona uma dívida de R$ 20 milhões do hotel com a concessionária de energia elétrica. Foram três cortes entre 2018 e maio do ano passado, com religações por liminar judicial.

Hotel e energia elétrica

O não pagamento de um valor com desconto de 60%, definido após negociação entre as partes, tirou de vez a energia do Tropical, que ainda operou um mês com gerador, mas fechou as portas logo em seguida.

“Só percebemos que a situação do hotel estava degringolando quando cortaram a luz”, lembra o ex-assessor de imprensa do hotel, Paulo Roberto, um dos últimos funcionários a abandonarem o trabalho no resort. “Tínhamos a questão econômica do Brasil, que está complicada. Mas o hotel, no mercado atual, ainda tinha uma boa carteira de eventos que sustentava e pagava parte das contas.”

O fechamento causou demissões em massa e escancarou os débitos trabalhistas do empreendimento, que pode ultrapassar R$ 20 milhões, segundo o Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro do Amazonas. Conforme o advogado e administrador da massa falida, Pedro Cardoso dos Santos, o valor está em apuração.

O resort, que chegou a empregar mais de mil pessoas, decretou falência com cerca de cem funcionários, dispensados em seguida.

Com informações do Estado de São Paulo. 

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