13 de julho de 2024

‘Espanglês’, igrejas latinas e slogan em espanhol: como Trump e Biden correm atrás do voto latino nos EUA, que inflou e migra para a direita

Se por um lado adotam políticas e discursos contra imigrantes, por outro Joe Biden e Donald Trump têm investido em uma corrida sem precedentes na política dos EUA para conquistar o “voto latino”, como é chamado o eleitorado de latino-americanos residentes de forma legal nos EUA.

A pressa de ambos os lados tem um motivo: esse eleitorado, tradicionalmente democrata, não só inflou significativamente como está migrando em grande velocidade para o Partido Republicano —conservador. A campanha de Joe Biden tenta recuperar, enquanto ainda há tempo, parte desses eleitores. Já o comitê de Donald Trump trabalha para aumentar e tornar permanente essa migração.

E, para isso, nenhum dos lados tem economizado: lançaram campanhas em comícios em redutos latino-americanos, exibem cartazes e sites em espanhol, visitam igrejas da comunidade latina e já até adotaram o “espanglês” — o dialeto híbrido que mistura palavras em inglês e espanhol — em vídeos e slogans.

As eleições para presidente nos Estados Unidos acontecem em 5 de novembro. Biden tenta a reeleição, enquanto Trump quer voltar à Casa Branca; ele presidiu os EUA de 2017 a 2021 e perdeu as últimas eleições justamente para o democrata.

Segundo um levantamento do jornal “The New York Times” com o Siena College, divulgado em março deste ano, 46% dos latino-americanos votariam em Donald Trump, enquanto 40% escolheriam Biden. O percentual não é exato, e a própria pesquisa estabeleceu uma margem de erro de 10 pontos percentuais com a justificativa da volatilidade do voto latino.

Em maio, o instituto YouGov, de pesquisas de internet, apontou empate: 43% dos eleitores latinos manifestavam preferência por Trump, e outros 43%, por Biden.

Já uma pesquisa mais recente, feita em junho pela CNN Internacional, mostra uma ligeira preferência por Biden entre os votantes latino-americanos: 51% disseram que votariam no democrata, contra 44% que expressaram apoio a Trump.

Mesmo considerando a margem de erro, os números mostram que os republicanos têm crescido entre esse eleitorado, que, nas eleições anteriores, em 2020, apoiaram em peso o presidente Joe Biden, com 59% da preferência, contra 32% para Donald Trump.
Na eleição de Barack Obama, em 2008, o apoio era ainda maior: o percentual de latino-americanos que votou no Partido Democrata chegou a 70%, ainda de acordo com o levantamento do jornal “The New York Times”.

A atenção extra de Biden e Trump ao eleitorado latino corre em paralelo com medidas anti-imigração: Biden, na política migratória mais dura de um governo democrata, anunciou, no início do mês, o fechamento parcial das fronteiras com o México. Já Donald Trump, que levanta alto a bandeira contra imigrantes, promete de deportações em massa caso eleito e chama estrangeiros de terroristas.

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