13 de julho de 2024

Maquiadora diz que tentou alertar família de Djidja Cardoso sobre abuso de cetamina, mas temia perder o emprego

A maquiadora Claudiele Santos da Silva, que trabalhava no salão de beleza de Djidja Cardoso, encontrada morta há 15 dias, em Manaus, disse no seu primeiro depoimento à Polícia Civil, na tarde desta terça-feira (11), que chegou a alertar a família da ex-sinhazinha do Boi Garantido sobre o uso abusivo de cetamina – substância anestésica que causa alucinações e dependência -, e que era usada para rituais de um grupo religioso alvo das investigações.

Claudiele se entregou à polícia no dia 30 de maio, horas após Ademar e Cleusimar Cardoso, mãe e irmão de Djidja, e a gerente do salão, Verônica da Costa, serem presos ao tentar fugir da casa da família.

A maquiadora deixou a cadeia no dia 6 de junho após ter a prisão preventiva convertida em prisão domiciliar. A defesa dela alegou que a maquiadora precisava cuidar de uma filha que tem menos de 2 anos, que tem a guarda compartilhada com o pai.

Nesta terça, ela compareceu na sede do 1º Distrito para Integrado de Polícia (DIP) junto com o advogado, onde prestou esclarecimentos sobre o que presenciava ao ser chamada para trabalhar na casa da família Cardoso.

“Eu era chamada para fazer o cabelo da Djidja e presenciava o estado dela, dava banho nela, fazia de tudo que estava ao meu alcance para ajudá-la. Eu só não podia chegar e falar ‘estamos com uma ambulância aqui, vamos te levar para uma clínica agora’. Eu não sou família, eu sou colaboradora da empresa”, disse Claudiele.

Ainda segundo a maquiadora, ela e outras pessoas que trabalhavam no salão de beleza sabiam sobre o uso abusivo de cetamina pela família da ex-sinhazinha. Ela disse, ainda, que todos os funcionários alertaram e até pensaram em fazer uma denuncia, mas tinham medo de perder os empregos.

“O que nos cabia fazer, nós fizemos. Pensamos [em denunciar], mas nós éramos funcionários, nós precisávamos dos nossos empregos. Então, a gente não podia bater de frente com a família. As decisões eram deles”, comentou.
Questionada sobre o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, criado pela família de Djidja e que promovia o uso indiscriminado da cetamina. Claudiele voltou a negar o envolvimento dela com a prática.

“Eu não tenho participação com venda, com tráfico, associação para o tráfico, grupo, algo do tipo. Minha relação com a família Cardoso era como funcionária da empresa e sou amiga da Cleusimar, que é uma pessoa que me ajudou muito, tanto que tentei ajudar por inúmeras vezes a família dela”, contou a maquiadora.

Claudiele informou ainda que tenta recuperar a guarda total da filha, que foi levada para morar com o pai. Segundo ela, a defesa solicitou um mandado de busca e apreensão na casa do homem para recuperar a criança.

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