Manaus registrou 45 homicídios nos primeiros 12 dias do ano, aponta DEHS

De acordo com o delegado Paulo Martins, 90% dos crimes estão relacionados a guerra entre facções criminosas, que levaram as rixas dos presídios para as ruas; assassinos têm registrado em vídeos muitas das mortes

A guerra do tráfico dentro das unidades prisionais do Amazonas está controlada, mas segue crescendo do lado de fora das cadeias. Até hoje pela manhã a Delegacia Especializada em Homicídios e Seqüestros (DEHS) já havia registrado 45 homicídios em Manaus nos primeiros 12 dias do ano, uma média de 3,75 mortes violentas por dia. Destes, 40 foram motivados pelo tráfico, conforme informou ontem o titular da DEHS, Paulo Martins.

Nos presídios, foram 56 mortes violentas em janeiro de 2017 e outras 57 em maio do ano passado, todas oriundas da guerra entre traficantes. A partir do segundo semestre do ano passado, o cenário nas unidades prisionais mudou, mortes e fugas foram poucas com as medidas tomadas, entre elas a transferência das lideranças para presídios federais e o controle rigoroso que inibiu a entrada de celulares, impedindo a comunicação das lideranças.

Mas do lado de fora as mortes vem aumentando. De acordo o delegado Paulo Martins, 90% dos crimes registrado na especializada tem motivação pelo tráfico – a maioria deles com armas de fogo.  O que vem ganhando destaque é a forma violenta como o traficante vem agindo e colocando em risco a vida de inocentes.

Na semana que passou duas crianças foram vítimas de armas de fogo.  No dia 7 (terça-feira) traficantes invadiram o condomínio Harmonia para matar a traficante de droga Michele Paes de Oliveira. Houve troca de tiros e a filha dela, uma menina de 11 anos de idade foi ferida na perna. Michele é considerada como uma das maiores lideranças da facção criminosa Família do Norte (FDN) no trafico de droga da invasão Monte Horebe, na Zona Norte

Na quinta-feira (9) foi a vez do pequeno Renan Souza da Gama, de 9 anos, ser morto após ser atingido por uma bala perdida quando jogava bola na rua no bairro Novo Aleixo, Zona Norte de Manaus. O sonho do menino de ser um jogador de futebol foi interrompido por sicários do tráfico que tinham como alvos seus rivais.

De acordo com informações da Polícia Militar, seis homens que pertencem à facção criminosa Família do Norte (FDN) chegaram ao local em dois carros e efetuaram vários disparos em direção a um beco onde estariam membros da facção rival, o Comando Vermelho (CV). David Barros da Silva, 20, e Dennis da Silva Marinho, 33, foram atingidos pelos tiros e foram levados ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste

No sábado no Bar do Paraense, avenida Presidente Kennedy, bairro Santa Luzia, Zona Sul de Manaus, um quatro homens chegaram em duas motocicletas e atiraram contra um grupo de seis homens que bebiam no estabelecimento. Três deles morreram e um ficou ferido. No local, amigos e familiares, chorando, atribuíam as mortes a traficantes do beco da Bomba, bairro Educandos, Zona Sul.

Modus operandi

As vítimas da violência do trafico vais mais além. Os traficantes estão sequestrando, torturando, mutilando, esquartejando, matando e enterrando em cemitérios clandestinos. A sanha dos criminosos ainda é registrada em vídeos no momento que estão matando as vítimas. Essas imagens são colocadas nas redes sociais para mostrar poder e o que são capazes de fazer com as suas vítimas.

É o que aconteceu com Fênix Maciel (foto ao lado) desaparecido desde segunda-feira, dia 6. Ele seria soldado da facção criminosa Comando Vermelho e teria sido capturado por membros da Família do Norte. Um vídeo com imagens fortes de ele sendo torturado, esquartejado e morto circula pelas redes sociais onde aparecem os criminosos decapitando ele e mostrando o seu rosto com os olhos furados, os lábios deformados e sem a orelha. Enquanto esquartejam Fênix, seus assassinos riem de forma debochada como se festejassem suas ações.

A família identificou o rapaz, e passou a procurar pelo corpo, porém até o sábado não tinham encontrado. Outras famílias estão procurando pelos corpos de seus entes queridos. Elas sabem que estão mortos pelo tráfico e querem pelo menos dar um sepultamento decente para eles, mas nem sempre conseguem encontrar. Maurício da Silva é o pai de Erick Silva Almeida, 24, um dos corpos encontrado ontem enterrado no cemitério clandestino da Reserva Duque. Foi o pai que achou o corpo do filho enterrado com os pés para fora. “Nós só queríamos acabar com o sofrimento, principalmente da mãe dele, e dar um enterro digno para ele”, disse o pai.

Medidas

Para o delegado de Polícia Federal aposentado Mauro Spósito, a guerra do tráfico é gerada pela questão econômica e enquanto não cortar a economia dos traficantes, a tendência é aumentar ainda mais. “Manaus que era uma cidade pacata está ficando violenta semelhantes as demais capitais de estados que fazem fronteira com Peru, Colômbia e Venezuela”, disse Spósito.

Spósito só vê uma saída que é a organização dos órgãos de segurança estadual e federal para o fechamento definitivo dos corredores do tráfico com ações permanentes, ou seja, 24h por dia nos 365 dias do ano. “O tráfico não vai acabar de vez, mas vai diminuir consideravelmente”, asseverou o delegado.

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