No AM, final do ano pode ser marcado com grande volume de chuva

Os últimos meses deste ano estão com previsões que apontam para um período de altas chuvas para o Amazonas, tendo a possibilidade de um inverno amazônico – período com grande quantidade de chuvas ser mais extenso que o padrão, conforme informações de especialistas do tempo.

De acordo com o departamento de clima dos Estados Unidos, o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), o fenômeno climático La Niña entrou em atividade em setembro. Para ser considerado ativo, as águas do Pacífico devem estar mais geladas que o padrão por um tempo prolongado, registro que vem ocorrendo há nove meses.

O meteorologista Gustavo Ribeiro, explica como o fenômeno ocorre na região da Amazônia. “Os oceanos são os controladores do clima no globo terrestre. Quando ocorrem mudanças térmicas, a circulação dos ventos, as chuvas e as temperaturas também são modificadas. Os famosos El Niño e La Niña são fenômenos climáticos de grande escala, isto é, provocam mudanças no clima de várias regiões do planeta. Em grande parte da Amazônia, o fenômeno La Niña favorece a formação de nuvens, intensificando as chuvas e temperaturas mais amenas são registradas, já o El Niño, dificulta a formação de nuvens, diminuindo as chuvas e consequentemente mais elevadas temperaturas são registradas”, disse o meteorologista.

O meteorologista Willy Hagi Teles e mestrando em clima e ambiente pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), afirma que o período pode ter aumento as chuvas e prejuízos causados pelo fenômeno.

“Na cidade de Manaus e praticamente em todo o Amazonas e na região Norte, o La Niña pode adiar o início do período chuvoso, inclusive influenciando o período chuvoso a ser ainda mais intenso que o normal. Ou seja, a La Niña pode ser responsável por tempestades severas, alagamentos, deslizamentos de terra e outros prejuízos grandes para a população”, explica Teles.

Willy destaca ainda sobre a previsão para os próximos meses sobre o clima na região. “Como essa La Niña, que teve início confirmado no começo desse mês de Outubro, possivelmente terá intensidade moderada a forte, então é de se esperar que ela dure até pelo menos meados de fevereiro a março do ano que vem e aumente ainda mais os níveis de chuva da nossa região”, comenta Willy.

Pode reduzir queimadas

O pesquisador em Clima e Ambiente e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rogério Ribeiro Marinho, destaca que a população pode aguardar por um volume maior de chuvas, que apesar de  resultar em alagações também pode reduzir os riscos das queimadas.

“A tendência geral deste fenômeno [La Niña] é ocasionar maior cheia dos rios e um período chuvoso mais intenso que o normal. Em áreas urbanas e ribeirinhas há sempre o risco que fortes chuvas e inundações ocasionam na população e na infraestrutura local. Por outro lado, dependendo de sua influência espacial, um maior volume de chuva é benéfico para reduzir os riscos de queimadas que ocorrem principalmente no sul do estado do Amazonas”, explica o professor.

 Foto: Orlando Júnior/Rede Amazônica

Copyright © Em Tempo

Compartihe:

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no email
E-MAIL

Veja também:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp