Rio de Janeiro é pioneiro no uso de plasma de recuperados para tratar Covid-19

Os anticorpos de pacientes já recuperados do novo coronavírus começaram a ser utilizados no último final de semana para tratar doentes em estado grave na cidade do Rio de Janeiro. Os primeiros a receber o tratamento alternativo foram duas mulheres, de 62 e 63 anos, e um homem de 34, internados no Instituto Estadual do Cérebro (IEC). Os três são mantidos vivos através de ventiladores e receberam plasma sanguíneo de um único doador, um médico de 30 anos que teve a doença em março e fez a doação na sexta-feira. Ao final da próxima semana, 20 pacientes terão recebido a infusão. Se os resultados forem positivos, o tratamento será estendido para mais 80 pessoas e, mediante sucesso, usado em larga escala a Covid-19 grave.

Feito por iniciativa da Secretaria Estadual de Saúde, o trabalho envolve, além do IEC, o Hemorio e o Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Hemorio concentra o recrutamento e cadastro de voluntários (até agora, já são mais de 600), além da coleta do sangue. Como nem todo mundo que pegou a doença é capaz de produzir anticorpos em quantidade suficiente para estancar a carga viral em outro paciente, é necessária uma bateria de testes para que o material seja aprovado e preparado para infusão. Na UFRJ, são feitos estes exames que detectam se o sangue do doador é apto para combater o coronavírus.

No Reino Unido, o Sistema Nacional de Saúde (NHS) está pedindo que pessoas que se recuperaram da doença doem sangue para que o uso do plasma seja avaliado como forma de tratamento alternativo. Nos Estados Unidos, mais de 1.500 hospitais já adotaram a medida – até agora, nenhum dano colateral grave foi reportado. O trabalho é liderado pelo médico Michael Joyner, da clínica Mayo, no Arizona. “Na primeira semana de administração, não notamos efeitos colaterais imprevistos. Há relatos de melhora da oxigenação dos pacientes. São notícias animadoras, mas precisam ser rigorosamente avaliadas”, disse o especialista à BBC. “Às vezes, como médico, você precisa tentar um chute para acertar”, completou.

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